TRAVESSIA

Experimento nascido do estudo do livro “Grande Sertão: Veredas”, de João Guimarães Rosa, apresentamos o velho Riobaldo, que, já aposentado de suas atividades de jagunço, relembra momentos de sua vida e de sua paixão por Diadorim, personagens misterioso, que escondeu durante toda a sua vida o segredo de ser na verdade uma mulher travestida de homem. Mas Diadorim já está morto há tempos no momento da ação cênica, e Riobaldo tenta reviver suas memórias e a própria existência de Diadorim por meio de um novo pacto que faz com o demônio. Voltando a pronunciar as palavras do pacto que em tempos passados tentara em vão selar, o velho Riobaldo enfrenta novamente seus medos, angústias e prazeres, e acaba por reviver a relação que outrora existia entre o mistério da sexualidade de Diadorim e o mistério do contato com o insondável, representado aqui pela figura do diabo. Na ação cênica, três atores de ambos os sexos trabalham a ambiguidade da figura de Diadorim, como corporificações fantasmagóricas das memórias de Riobaldo, enquanto que o próprio Riobaldo conta aos espectadores suas reminiscências. Ao decorrer dessa narrativa, os atores preparam o espaço para o pacto final da vida do velho Riobaldo, que culminara na morte de Diadorim e do mistério de sua sexualidade híbrida por meio de um velório que nunca ocorreu no momento da morte de seu parceiro, mas que ocorrera graças ao poder invocativo do teatro.

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